Deixe que as estações venham,
E tragam o sol
Ouça a voz do vento norte que chama,
E dance, sorria, celebre
Bailando sobre as folhas secas com pés descalços,
Úmidas, inertes, macias e perfumadas
E a força da terra mostrará a direção,
Deixe que as estações venham
E tragam o sol.
quarta-feira, 2 de março de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Watching the wheels
As pessoas às vezes me olham com estranheza, de vez em quando até com pena. Sinceridade? Talvez.
Creio que muitas delas desejem o meu bem e, por isso mesmo, se sintam condoídas por constatar que estão diante do que poderia ser o sonho realizado de uma vida. Um homem, segundo suas concepções que poderia ocupar um lugar de poder na sociedade, um diferencial entre meus pares, enfim, um sonho frustrado.
Muitas pessoas chegam a questionar a razão pela qual não estou ganhando dinheiro com minha inteligência.
Eu deveria estar mais ligado no que acontece à minha volta, utilizando meu potencial. Estou ficando pra trás e o mundo aumenta sua velocidade a cada dia.
É, eu até poderia. Poderia mesmo.
Muitos sorriem incrédulos quando digo que está tudo bem e que estou feliz assim. Que nem sempre a solução é "muito dinheiro no bolso". Acho que prefiro "saúde pra dar e vender". Nem sei se venderia.
Acho que prefiro observar as nuvens que passam enquanto amasso a massa que vai virar pão.
Penso que o tempo passa inclemente e determinado sem esperar por ninguém, poderoso ou não. Digo que prefiro acariciar meus cães, absorto como uma criança que desenha sua primeira casinha.
Digo que prefiro gastar horas da minha longa juventude com os dedos passeando entre os cabelos da mulher que amo. Não há tesouro maior nessa vida do que o amor que você dá e recebe.
Não há coisa mais preciosa do que o sorriso fácil de uma mãe que vê seu bebê sorrir. É incalculável o valor de um olhar de gratidão de quem é socorrido no momento de aflição.
Para aquelas pessoas que se tornaram frias e duras por exigência do mundo ou para quem realmente quer o meu bem, digo que, nesse mundo o que está reservado a todos, é o esquecimento. Do imperador romano ao cara que faz malabarismo no semáforo, nem sombras hão de restar. Afinal, daquele menino ou menina que você foi, o que sobrou? Eu, você, todo mundo. O que sobrou?
Por isso, acho que prefiro gastar meu tempo olhando as sombras dos pássaros que voam céleres, desenhando trajetórias traçadas por Deus em sua imensa tela azul. E eu adoro isso!
Entenda, isso não é preguiça ou apologia ao ócio, muito pelo contrário, é carpe diem.
Algumas pessoas me olham como se eu tivesse realmente perdido o juízo.
Não. Estou recuperando.
Pintura: Boys watching clouds by Gregory Samuel
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Mayra Andrade
Mayra Andrade é cubana, criada em Cabo Verde, mora na França e fala português brasileiro sem nenhum sotaque!
Assim como a grande Cesária Évora, suas músicas são cantadas no dialeto crioulo, de Cabo Verde. Isso não a impede de se aventurar em outros gêneros.
Belíssima cantora!
Assim como a grande Cesária Évora, suas músicas são cantadas no dialeto crioulo, de Cabo Verde. Isso não a impede de se aventurar em outros gêneros.
Belíssima cantora!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Dica do Felipe!
Outro dia, estava eu assistindo esse vídeo quando meu neto Felipe veio de mansinho e sentou do meu lado. Ficou quieto, prestando atenção e, quando me dei conta, olha ele lá cantando junto o refrão...
Resultado, tive que repetir esse vídeo umas oito vezes!
Ele dizia:
"Vô, põe o gimme, gimme!"
Pois é, aí vai mais uma dica do Felipe!
Resultado, tive que repetir esse vídeo umas oito vezes!
Ele dizia:
"Vô, põe o gimme, gimme!"
Pois é, aí vai mais uma dica do Felipe!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Feliz 2011!
Caros amigos!
Muito obrigado por visitar meu pequeno jardim em 2010.
Desejo a todos um 2011 cheio de manhãs orvalhadas e relva verdejante!
E que estejamos todos juntos no ano que se inicia. Colhendo frutas no pé, compartilhando sorrisos e caminhando a pés descalços na terra amorosa!
Grande beijo!
Sandro
Muito obrigado por visitar meu pequeno jardim em 2010.
Desejo a todos um 2011 cheio de manhãs orvalhadas e relva verdejante!
E que estejamos todos juntos no ano que se inicia. Colhendo frutas no pé, compartilhando sorrisos e caminhando a pés descalços na terra amorosa!
Grande beijo!
Sandro
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Devagar, coração!
Devagar, coração!
Nós já passamos por isso antes.
Você sabe, não adianta reclamar,
Nunca é o que se espera.
Devagar, companheiro!
Não adianta correr se não há destino,
Porto seguro. Não há.
O jeito é achar o seu compasso,
E seguir em frente, devagar.
Devagar, coração!
Não perca tempo com sombras ou sobras.
Elas te levarão ao nada,
Frio e seco.
Mas não perca a fé. Acredite.
Apenas não se apresse,
Devagar, devagar, coração.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Os rotos e os rasgados
Tenho orgulho de dizer que trabalho numa das maiores bibliotecas setoriais de ciências humanas da América Latina. Arrisco dizer que somos detentores de um dos mais ricos acervos do país.
Viemos através dos anos sobrevivendo a muitas coisas: falta de interesse do poder público,(já que não fazemos grana, apenas conhecimento), falta de estrutura, de funcionários, de conservação e até de bibliotecários. Isso pra não falar das intempéries e "catástrofes naturais" como inundações, fungos e traças.
Apesar disso, ainda somos referência no país inteiro e isso é largamente reconhecido.
Bom, o que eu queria dizer é que, apesar dessa grandeza, um dos maiores problemas (a qual tenho sérias dúvidas quanto à nossa sobrevivência!) é a pura e simples falta de educação de algumas pessoas que nos frequentam. Não é a falta de educação formal, isso todos aqui tem de sobra mas sim a educação que se traz de casa. Sabe o basiquinho, "bom dia", "com licença", "por favor", "obrigado"? Pois é.
É uma minoria mas que dá um trabalho...
Tive uma colega, já aposentada, que dizia sempre desconfiar de pessoas educadas demais, de gente que sempre se desculpava ou pedia licença pra tudo.
Sei lá, acho que não concordo com isso. Sempre pensei que, quando você não tem mais nada, apenas o seu nome, a educação e o respeito são o que te mantém vivo.
Dito isso, pergunto: Como alguém que não respeita nada nem ninguém, haverá de respeitar livros e o que eles representam?
Diariamente passam pelas minhas mãos quase uma dezena de livros danificados, mais da metade desses, por desleixo ou falta de educação do usuário.
Ora, esses livros são patrimônio público! São seus, meus, de todo mundo e, ao mesmo tempo, não são!
Já perdi a conta de volumes devolvidos que estão rabiscados à lápis, a caneta ou até marca-texto! Livros com marcas de copo, cheirando a cigarro e, pasmem, tem gente que os usa como agenda, com horários de médicos, reuniões e quejandos!
Já recebi livros com capítulos inteiros grifados a caneta, livros de arte com frases e desenhos obscenos.
Acho que dá pra comparar isso com pixações em muros alheios, com depredação de orelhões e ônibus, não é mesmo? Como pessoas que fazem esse tipo de coisa podem se dizer minimamente educadas?
Esta biblioteca está encravada dentro de uma das maiores e melhores universidades públicas do Brasil.
Temos mestres e doutores em um monte de coisa mas tá faltando uma disciplina básica: cidadania.
Apesar de todos esses problemas, este ainda é um lugar fascinante e interessantíssimo pra se conhecer e pesquisar.
Se você estiver interessado(a) em conhecer, dê uma olhadinha em nosso site ou, se puder, faça-nos uma visita!
http://www.ifch.unicamp.br/biblioteca/
foto: Criselli Montipó
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