quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Aprendiz de fadista

Fado Regresso

Não tema a força do rio,
Em seu poderoso correr,
Rugindo em desafio,
Sem nada e ninguém temer,

Ai, que não mais me iludo,
Com sua canção feroz,
Cantando defronte aos muros,
De nossa cidade audaz,

Venha comigo donzela,
De sutil caminhar,
Em companhia tão bela,
Me porei a versejar,

Da casa de Gedaías,
Ao solar dos Avona,
Nas ruas, muitas Marias,
Nunca esqueço o aroma!

Que bela, tão linda estância,
Tão gloriosa a brilhar,
Das flores traz a fragrância,
Quero pra lá regressar,

Porque cidade o teu rio,
Teu alicerce margeia,
Em regato frio
Amores vãos se granjeia,

A retina não deixa,
Tua natureza sem par,
Então de uma outra feita,
Pra ti eu quero voltar!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Música para sentir


Quem me conhece sabe que sou fã de carteirinha da Bjork. Gosto muito da coisas que ela canta e sobretudo de sua criatividade. Ela se distingue entre a multidão de música eletronica sem identidade. Qual não foi minha surpresa quando ouvi pela primeira vez a canção "Gollum's Song", no final do filme "Senhor dos Anéis - As Duas Torres"?

Era uma bela canção cantada no estilo da Bjork, com a voz da Bjork e NÃO era a Bjork!

Fiquei até o final dos créditos para ver o nome da cantora e lá estava: Emiliana Torrini!
Pois é, fiquei muito curioso em saber de onde saiu essa artista, se era ou não mais um caso de "genérico". O engraçado é que, pesquisando, descobri que essa cantora, apesar de ser nascida no mesmo país que a Bjork e de ter um trimbre parecido não a torna um clone. Muito pelo contrário. Trata-se de uma cantora com uma sólida carreira, não apenas dentro de seu país(a minúscula Islândia), mas também em vários lugares da Europa, já com pelo menos, seis discos gravados.

Seu som não se presta a rótulos, é apenas inspirado e delicado, alegre e pulsante. Ouvi o cd "Fisherman's Woman", de 2005 e gostei demais!

Há também seu cd mais recente chamado "Me and Armini". Não ouvi mas li boas críticas.
Essa é mais uma artista, pouco ou nada conhecida no Brasil mas que vale a pena conhecer. Música de primeira. Para aguçar os sentidos.














Lógica de criança...


Só criança mesmo...
Um priminho para o outro:

"Minha vó é a Rosa!"

Resposta:

"Meu vô é preto!"
O carinha aí de cima foi o protagonista.
E o avô preto em questão era eu...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Meio Quilo


Hoje acordei com uma baita saudade da minha priminha do coração, a "Meio Quilo".
Esse foi o apelido carinhoso que colocamos na Catarina por conta dela ter sido o menor bebê que já havia dado as caras na família!
Ela nasceu aos seis meses de gestação e era coisa mais bonita e miúda que eu já vi.
Sabe, eu vivo num meio em que as pessoas tem a dificuldade(diria até, limitação) de acreditar em Deus. Muitas questionam a existência do Paizão lá de cima e até fazem até pouco caso dizendo que isso é coisa de gente ignorante. Tá bom...
Essa menina, a Catarina, é sem sombra de dúvida, uma prova cabal da existência de Deus. Na verdade, ela foi um presente dos céus pra gente aqui do vil pó. As pessoas se impressionavam e faziam aquela cara: "Será que vai vingar?" Aí o milagre se impôs!
A primeira vez que a vi, essa criança não era muito maior que uma Barbie. Por outro lado, nunca havia visto bebê ativo, esperto e cheio de vida! Fui definitivamente fisgado!
Contrariando tudo que se acreditava até então, esse bebê cresceu, tão forte e bonita e se tornou uma jovem mulher, uma serva de Deus que, a cada sorriso me enche os olhos de lágrimas e me faz perceber que, quem sorriu na foto foi uma belíssima obra do Altíssimo!
Hoje resolvi escrever sobre a minha eterna "Meio Quilo", movido pela saudade, imposta pela distância e pelo nosso dia-a-dia atribulado.
Resolvi falar de uma pessoa especial, que veio a este mundo como prova de que Deus não só existe, como nos ama profundamente. E que, nós filhos ingratos, por vezes não nos damos conta dos pequenos milagres que passam pela nossa vida.








terça-feira, 20 de outubro de 2009

41...contrariando as estatísticas!



Dia desses, comentávamos em sala sobre o rap nacional que, assim como outros gêneros musicais, traz coisas boas e outras nem tanto. Falamos sobre o Mano Brown, líder dos Racionais MC's e suas letras contundentes.

Chegamos a conclusão que o cara é muito bom mesmo. Trata-se de um letrista, um cronista do mais alto gabarito. Não discuto aqui as opiniões do artista acerca disso ou daquilo e sim a sua competência para nos brindar com o que há de mais poderoso em termos de ritmo e poesia.
Sempre gostei do rap brasileiro(acho o americano um lixo!). E, embora os nossos rappers tenham sua inspiração no modelo americano, eles seguiram um caminho próprio e alguns dignos de nota. De uns tempos pra cá, a bandidagem nas letras tem dado lugar a temáticas mais comuns a gente como você e eu que nunca se meteu com o crime ou sequer apertou um baseado!
E caras como Mano Brown, Thaíde e MVBill, tem grande dose de participação nessa mudança. Os manos colocaram as periferias no mapa, não só pelas mazelas que todos nós conhecemos mas sim pelo viés do cotidiano do povo sofrido e trabalhador que rala muito pra levar a vida.

Pra pessoas que, como eu, sempre morou em periferias, é muito legal se reconhecer no trabalho de artistas como esses.
Gente que também faz coisas legais: Relatos da invasão, GOG, DBS e a quadrilha.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Catando milho...




Depois de uns dias sem aparecer por conta de um pequeno acidente de trabalho, volto a carga, agora digitando com os indicadores.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Coisa da antiga...

Tem gente que diz que o passado deve ficar no passado. Acho que é verdade, o que passou, passou.

Por outro lado, como podemos ter exata noção de quem ou o que somos se esqueçemos o que contribuiu para que chegássemos ao que chegamos? Para o bem ou para o mal.

Cá pra nós: todo mundo em algum momento esqueçe! Fica tudo recortado como se fosse um "melhores momentos", que nem sempre são os melhores.

Tem lembranças que a gente guarda pra sempre, como se fosse uma daquelas fotos antigas ou uma cicatriz daquele tombo da bicicleta.
Eu via a Clara Nunes na televisão cantando esse samba e imaginava a cena. Era tudo tão familiar! Minha avó materna foi lavadeira e, assim como diz o samba, lavava roupa numa tina em beira de rio, soprou muita brasa em ferro de passar.
O tempo passou, ela trocou a tina e o rio pelo tanque e, depois de muitos anos de atividade, trocou a vida de lavadeira pelos verdes campos e riachos onde ninguém mais precisa lavar roupas em suas margens ou soprar brasas em ferro de passar.
Hoje ela mora num lugar onde todas as vestes são brancas e não há mais roupa suja pra lavar. Todas as beiras de riacho são apenas para que se contemple as águas cristalinas e se refrescar sob o sol que nunca se põe.


Coisa da Antiga

Wilson Moreira/Nei Lopes

Na tina, vovó lavou, vovó lavou
A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada
E mamãe quando era menina teve que passar, teve que passar
Muita fumaça e calor no ferro de engomar

Hoje mamãe me falou de vovó só de vovó
Disse que no tempo dela era bem melhor
Mesmo agachada na tina e soprando no ferro de carvão
Tinha-se mais amizade e mais consideração
Disse que naquele tempo a palavra de um mero cidadão
Valia mais que hoje em dia uma nota de milhão

Disse afinal que o que é de verdade
Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga, ai na tina...

Hoje o olhar de mamãe marejou só marejou
Quando se lembrou do velho, o meu bisavô
Disse que ele foi escravo mas não se entregou à escravidão
Sempre vivia fugindo e arrumando confusão
Disse pra mim que essa história do meu bisavô, negro fujão
Devia servir de exemplo a "esses nego pai João"

Disse afinal que o que é de verdade
Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga
Oi na tina...